Superfícies complementares em madeira: degraus, lambrins, tetos e paredes tratados como uma peça, não como um acabamento aplicado.

Um revestimento atua sobre a superfície inteira — por isso trata-se como marcenaria.
Um revestimento em madeira é o que mais rapidamente muda o carácter de uma divisão, porque atua sobre a superfície inteira e não sobre um objeto. Por isso trata-se como marcenaria: com juntas pensadas, sentido de veio decidido e remates desenhados ponto a ponto.
As decisões que contam raramente se veem à primeira. Onde cai a junta entre folhas, se a ripa é vertical ou horizontal, a que altura termina o lambrim, como o revestimento resolve o encontro com o rodapé, com o interruptor, com o aro da porta.
Numa escada, a madeira tem de responder também ao uso. Espelho, cobertor, bordo do degrau e ligação ao corrimão são resolvidos em conjunto, porque é o conjunto que se pisa todos os dias.
São estas escolhas — e não o acabamento final — que determinam como a peça se vai comportar todos os dias.
Vertical alonga a parede, horizontal alarga-a. Onde cai a junta entre folhas é o que decide se a superfície parece contínua.
Um lambrim que para a meia altura divide a parede; até ao teto, transforma-a. A altura escolhida deve encontrar algo — o aro, o peitoril, a linha do móvel.
Ripa, friso ou fresagem dão sombra à superfície. Quanto mais rasante for a luz da divisão, menos relevo é preciso.
Interruptores, tomadas, aros e rodapés são o teste de um revestimento. Ficam previstos no desenho, antes do corte.